terça-feira, 3 de abril de 2012

No dia em que eu morri

No dia em que eu morri. O vento parou. Parou o sol. Parou a água que corre no rio. Parou o teu sorriso. Pararam as minhas mãos e as convulsões no meu peito. Parou a música. A música desinventou-se e deixou de existir, apagada da história. Assim como a minha vida. No dia em que eu morri, o choro morreu, morreu a tristeza, morreu a felicidade. Morreu o ar livre, o cheiro a terra molhada. O cheiro a campo. Morreu a chuva. A água. No dia em que morri, o mundo parou e morreu, desapareceu. Até a terra que cobriu o meu caixão morto morreu. Até os bichos que me comeram morreram. No dia em que eu morri eu morri para o mundo como o mundo me morreu. E acabou tudo. Acabaram-se os beijos e os abraços. Acabou-se o teu perfume. Acabou-se a morte. No dia em que morri, desnasceu a paixão e o amor. Desnasceu o mundo.    

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