terça-feira, 18 de setembro de 2018

hold my hand, even if you dont understand.
Ele disse e eu digo, e repito
Segura a minha mão mesmo que não entendas
mesmo que para ti não faça sentido
não venhas com então o que foi
abraça-me e pensa comigo
talvez seja suficiente
o amor e uma cabana
por uma semana - mas,
se a cabana não se mexer
e não me apetecer foder,
já não vou querer viver 
e tu não vais perceber
e vais pensar que és tu, mas
não és tu sou eu baby
já ouviste esta frase? 
e se desta vez for verdade?
e é verdade quando te digo 
que não quero mais ninguém
e que contigo vivia este e mais cem
se conseguires aguentar o meu choro,
e quando ás 7 da manha quase morro mas,
eu sei que não é fácil,
tás a viver com alguém
que te promete o mundo,
e é bom com as palavras
na mesa ao almoço,
mas que desce ao poço
e perde a voz
com demasiada frequência
 sentimo-nos sós
eu porque estou e tu porque me fui,
mesmo ao teu lado constantemente cansado,
do barulho do mundo e do sangue nas veias,
de ficar preso nas teias
enterrado nas areias
descalço ou com meias
não é para que me leias
Agarra só a minha mão.


quinta-feira, 8 de março de 2018

Há dias que não acontece nada. O meu corpo aqui, encaixado na cadeira a ver o sol a por-se mas pela extinção da luz que entra pela janela. E de repente passam se meses, sem as rodas mexerem um centímetro, só acumulando pó nas prateleiras. Há dias em que não acontece nada. Aconteço eu porque existo, e quando menos acontecem menos acontecimentos há. Mas há outros, em que acontecem coisas. E em contraste, parece que acontece tudo. Que de repente o mundo não é só este meu canto, mas milhões de outros seres que vivem e que acontecem. De repente há pessoas que endoidecem, que se passam e se tornam pessoas desconhecidas, mesmo aos que viveram a vida toda com eles. Mesmo que há uma semana parecessem as mesmas. De repente há pessoas que morrem, e que parecem tão próximas, mesmo que nunca tenha ouvido a sua voz. Que sem sinal, de um dia para o outro, deixam de existe, desaparecem. E com elas as fotos e os poetas e os textos e as exposições. Porque o tempo ás vezes anda. De repente mal me sento na cadeira, porque afinal há quem se lembre de mim e eu tivesse voz para dizer o que penso, e escrever o que sinto. Tanta dormência acordada, que choca, que me lembra que a vida é uma merda, mas existe. E eu ainda estou cá.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Covinhas

O que foi?
Perguntas tu mil vezes,
As mesmas que bate o meu coração quando sorris.
Não foi nada.
Digo eu quinhentas.
Á outra metade não digo nada,
Continuo apenas nas covinhas das tuas bochechas.
A sorrir contigo.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Corrente e sal

Mal posso esperar por chegar,
Olhar-te e ver-te esboçar,
O sorriso que já me roubou,
O ar que o inverno gritou,
E que tu vieste cantar.

Ter o teu peito para eu desaguar,
E tu meu leito para te aninhar,
Seres o sal da minha corrente,
E contigo navegar pra frente,
Eu o teu rio, tu o meu mar.

terça-feira, 21 de março de 2017

Quando o meu coração acorda vazio, ou se esvazia pelos furos das balas perdidas, entras tu de rompante no teu barulho silencioso, no teu sorriso esgueiroso,á procura do meu que já lá está, por saber que ai vens. Sempre de mansinho abres de vagar o teu caminho, e com a tua varinha, enches-me de calma e alegria, e beijas me no espaço, até sentir no teu abraço, o meu coração a encher.

terça-feira, 7 de março de 2017

O pequeno coiote caminhou de mansinho, pata ante pata sem marcar o seu caminho. Fixava o ponto do ventre à chegada, preparando-se para num circulo felpudo ser amada. As pestanas batiam suavemente entre si, e os dentes escondidos no sorriso descontrolado, já o focinho aninhado na paixão até ao fim, e o coração no amor para sempre mergulhado.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Já alguma vez quiseste morrer?
Eu penso a toda a hora nisto. No momento em que a inexistência toda conta de mim. Sou finalmente livre para ser como quero, para ser quem quero, para ser vazio, ser nada.
A dor que se apoderou de mim em tempos hoje é dormência. A dormência que me desprende de tudo, e ao mesmo tempo me apega a tudo como parasita, a viver às contas do sangue dos vizinhos. A viver da energia que toda a gente me manda. Eu sou um sortudo, sempre fui. Toda a gente me dá tanto amor que já não quero mais viver. Assim como não quereria se me dessem desamor.
Eu só queria viver se morresse. Quando estiver morto vou talvez querer estar vivo.
Eu apego-me de tal forma a tudo o que aparece, e procuro sempre tanto a perfeição, que quando roço quero morrer. Eu não quero ser bom, eu não quero ser o melhor. E nem que eu finja, nem que eu force ser mau, nem que me tenha de desapegar de tudo para ser mau. Nem que me tenha de desamarrar de todos para não me quererem. Para ter de procurar de novo, falhar, ser infeliz, e querer morrer. Mas desta vez com tristeza, deixar a dormência para trás e agarrar a miséria, para que tenha força finalmente. Para que consiga ser como tu foste, para que consiga fazer como fizeste, como sempre quis fazer como fizeste. Até nisto foste à minha frente. Procuro a felicidade negada, procuro a miséria escondida, procuro o desamor e a inexistência. Procuro a morte.